quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Mistério ante mistério

mistério ante mistério 
a poesia jorra fétida
do esgoto molha o asfalto
declama o verso que respinga
chuva que derrama
na cidade que incendeia
toda luz que finda
sua breve despedida
arde o encontro 
ao se desencontrar
que ao cantar silencia
e ao escrever apaga
toda lembrança que trança 
nesse vai e vem a dançar
e reatinge outro tempo
no sem tempo
de quem tece 
seu olhar

Foto: O silêncio canta seus mistérios. Escutas? XIX lado A
 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A sabedoria do foda-se




Porque é o cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo...


Esperar o negócio cair na sua cabeça sem ir atrás. É o cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo...tá ligado? Se foi atrás e não deu certo meu se liga e QUE SE FODA! Quem ama demonstra e se não ama QUE SE FODA!! Sabedoria power do FODA-SE! Aprendi muito tarde, devia ter aprendido já ao nascer pra não perder tempo com...FODA-SE! Tá ligado?


❤️😘

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um pouco de Drummond


(Estudo da Natureza para delirar uma pintura 
Luiza Maciel Nogueira)


Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A poesia salva?


193º Desafio de imagens da poeta Tânia Contreiras

A poesia salva?

A poesia salva?

A poesia é sal de mar 
a ondular na boca.
É o pó que me deixa louca.
É purpurina que acende 
a beleza daquilo que passa.
É pássaro que voa 
no coração que perdoa.
E deixa passar 
a fumaça da lágrima 
a sorrir no ar.
É rastro de amor que goteja.
E leve o sol, o raio, a luz
que acende na escuridão 
que transcende.
A poesia salva a esperança.
É ela que espera toda a dança
das palavras incendiarem 
lembranças...
Três pontinhos de ilusão...
poesia é silêncio que se germina
na lágrima que não se quer
derramar...

*


sábado, 5 de agosto de 2017

Poema do ovo na gaiola

192o Desafio poético com imagens da poeta Tânia Contreiras!

A imagem é uma pintura de Rene Magritte.


um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

nascemos em uma prisão

ninguém nos salva dessa gaiola

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da gaiola

é sonhar a liberdade

com uma porta aberta

para outra gaiola ir

ou imaginar que vamos 

para outras gaiolas

sem sabermos presos 

estamos dentro da mesma gaiola

aquela mesma que nascemos

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da mesma gaiola

e embora tentemos 

não é possível enfeitar a dor

de ser sempre um ovo 

preso dentro de sua íntima gaiola


Luiza Maciel Nogueira