Música!

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terça-feira, 22 de maio de 2018

Quem sabe qualquer dia

quem sabe qualquer dia 
não nos ensinem a linguagem do silêncio
dos pássaros, dos ventos, da chuva, 
das árvores, do mar, dos rios,
das estrelas, do sol, da lua, 
da vida, do tempo, da infinitude
assim sem mais
aí sim talvez a distância 
não nos seria distância
mas sentimento que vibra, pulsa e dança
e qualquer drama se dissolveria 
na oração dos pássaros, no assovio dos ventos, 
no som dos pingos da chuva, 
no canto das ondas, dos rios, 
das estrelas, do sol, da lua,
enfim da vida, do tempo, da infinitude
talvez aí sim, apenas talvez
nossa língua despertasse os corações
à espera da verdade



*

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Relato sobre o silêncio e a poesia:

Poesia
Luiza Maciel Nogueira
(Nanquim sob papel)


Relato sobre o silêncio e a poesia:

I.
quando a poesia 
encontra o silêncio

quando o silêncio
encontra a poesia

: nasce a música

quando a música 
encontra um destino

: nasce um repente
que de repente se vai

(...)
Luiza Maciel Nogueira

quando a poesia
de repente se vai

leva consigo a alma
o papel pede histórias

: nasce a prosa

quando a prosa 
flui etérea ritmada

com linguagem surpreendente
traz de volta a poesia

: nasce a prosopopeia

(...)

Jose Couto

Quando a poesia
Se cala se emudece

Leva consigo a alma
O corpo se esquece

: nasce a onomatopeia

Quando o som é sentido
O prazer de um gemido

Leva em si a beleza
Libera a poesia presa

: nasce a contemplação

(...)

Manoel Gonçalves Manogon

Reveste-se de Luz

Traz em si toda clara essência
Esculpida nos recônditos.

O silêncio que emana
Transcende a alma

Então o poeta se desnuda
Como uma primavera...

: nasce assim outra estação

(...)

José Regi




Poesia
Luiza Maciel Nogueira
(Nanquim sob papel)

II.

a poesia corre
demasiado depressa
depressa
não paremos de sorver
cada silêncio
como nosso último beijo
às vezes confesso
contemplo os teus passos
mas prometo
só dura um segundo
até beijar o chão
debaixo dos meus pés
e seguir esse passo a passo
rumo ao infinito


(...)
Luiza Maciel Nogueira





O infinito são todas as possibilidades que dispomos
Neste nada contuso que se soma.
A esperança de ver chegar aquele amor
Que marcou como cicatriz
E que por medo de viver sorveu em saudade.
A saudade dorida
No gosto daquele beijo solitário
Ainda morno na boca Faz eriçar a pele.
A mesma pele que um dia tocaste
Com minúcias de eternidade
Durante os instantes apressados na hora de ir...
José Regi




III.



quero um silêncio

regado a poesia

um gole de música

breve

onde possa banhar

a saudade

daquele pedaço 

de esperança

que pelas entranhas

ainda dança

por não saber
te esquecer


(...)
Luiza Maciel Nogueira

*




IV.

sorvi nos lábios o silêncio da poesia
que pela garganta se foi

como nutrir um exército de poetas?
te pergunto
e fazer com que todos despertem?
te questiono

: deste sono sem cor
vai poeta cantar!


(...)
Luiza Maciel Nogueira


*


V.

cantar a poesia de todos os jeitos
reinventar as cores dos versos,
os tons desses ventos incertos
bagunçar as palavras errantes pelas linhas
te procurar, te perder e te encontrar sem nem te avisar
sem te dizer do silêncio que paira
sem te sussurrar baixinho a música
que atravessa os tempos
esquecer de te esquecer para sempre
porque a poesia essa sim
a poesia é flor do tempo que se abre
ao despetalar
onde o pensamento não consegue
alcançar


(...)
Luiza Maciel Nogueira

sexta-feira, 20 de abril de 2018

venho a invocar a palavra amor

venho a invocar a palavra amor
de todos os mares, de todas as flores
de todos os silêncios, de todas as músicas
dentro das conchas, dentro das cavernas
dentro do sangue, dentro da pele
de toda esperança que dança nos ares
venho a invocar a força do amor
dos ventos, dos tempos e dos raios solares
a arrancar cada uma das ervas daninhas
que estão paradas como parasitas
a impedir ao amor que se espalhe
venho a invocar a palavra amor
não de qualquer amor nem de qualquer jeito
não superficialmente, nem da boca pra fora
venho a invocar a palavra amor
para que ecoe eternamente dentro de ti
uma nova revolução
um novo sonho
um novo olhar



terça-feira, 17 de abril de 2018

Poema para ler mais poesia


Nunca houve um dia meu amor
no qual a poesia 
não insistiu em te beijar.
Pelas palavras de todos os poetas
que quiseram te dizer 
verdadeiras belezas repletas.
Dos mais absurdos versos
de ternuras acesas nesse mar aberto.

Nunca houve um dia meu amor
no qual a poesia deixou de te amar!
Abra os olhos e veja
a cidade está lotada de beijos
de poetas, de livros, de palavras
que querem desesperadamente 
te encontrar!
Nunca houve um dia meu amor
apesar de olhares para outros entretantos
cantos escuros, abismos, 
profundezas de enquantos 
saladas de blá blá blás...
Nunca houve um dia meu amor.
Por isso leia mais poesia por favor.
Nunca houve um só dia meu amor
que a poesia não quis te abraçar
e com seus braços de versos 
te amar...
Luiza Maciel Nogueira

Para todos os poetas e alguns cá se encontram. Não vou citar nomes porque certamente me esqueceria de alguém. Mas vocês sabem quem são ❤️!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

cada uma

por Luiza Maciel Nogueira 

cada uma das tuas
nuas falsas modestas farsas
não tuas nem minhas
nem nossas nem meias
nem inteiras nem futuras
nem passadas nem presentes
nem nada nem todas

cada uma das tuas
a superarem 
as outras em matéria
de espanto

que em matéria de amor
é nada


*

quinta-feira, 29 de março de 2018

Poema para os olhos de quem já chorou demais

Os olhos de quem já chorou demais
abrem as portas do desassossego.
Tanto amor apunhalado e ainda
com a coragem de amar mais.
Sem tanta espera. 
É que ela já não te espera. 
Espero que não a espere
pois que ela já não te espera
na alegria não te espera
na noite fria não te espera
na fantasia não te espera.
Te espera nunca mais.

Luiza Maciel Nogueira




quinta-feira, 22 de março de 2018

estive a pensar...


estive a pensar
no quanto é um desperdício
nossas peles distantes
nossos rios poluídos 
nossas crianças carentes
nossos sonhos esmagados
nossa vida carregada pelo vento 
assim sem mais nem menos ternura

estive a pensar 
no teu sorriso quando acordas
e a pensar também na saudade
daquele tempo onde o tempo
era lento e por não sabermos de nada
apenas sentíamos as coisas nos tocarem
assim livremente

estive a pensar no quanto
desaprendemos a não saber
a sentir, a amar, a ser
estive a pensar na dança
dessas coisas descontentes
que precisam as vezes serem 
empurradas a um abismo
para aprenderem a voar

estive a pensar...