terça-feira, 14 de novembro de 2017

Poema aos teus pés II

(imagem do google)

o sussurro continua intacto
"abra a porta e me abrace"
as árvores, o céu, o mar, a terra, a natureza te diz
"abra a porta e me abrace"
mais uma vez 
junto aos cantos dos pássaros lá fora
essa oração vigora
"abra a porta e me abrace"
ela te chama e você caminha
passo após passo a deixa entrar devagarinho
e então começas a sonhar a vida que te espera
vês que a dança continua
o canto é claro e cristalino
as coisas todas cá estão
tempo vem, tempo vai
é aprender a deixar entrar
o canto dos pássaros que faz cócegas nos ouvidos
o vento que nos toca os sentidos
é pegar os pássaros de dentro para voar junto
misturar-se no ar para fluir
sentir o sol a brilhar
os lagos, os rios, o mar


*

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

é tempo

é tempo
de guardar na boca
a estrela que brilha
a palavra que sonha
o tempo sem tempo
de adeus

é tempo
de silenciar para escutar
o sussurro que canta baixinho
de observar a dança devagarinho
das coisas que nascem 
num contínuo sempre

é tempo
de aprender a nascer 
pela estrela brilhar
e no cosmos contínuo
girar



*

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Poema aos teus pés

urge a palavra sair da boca
para o silêncio anoitecer dentro de nós
urge um tempo sem tempo
a voar sob nosso pressentimento
urge o verso seco, úmido início
aos teus pés
urge a vida na batida do coração
“abra a porta e me abrace”
ela te diz enquanto pensas ao observar o celular
que poderiam te abrir todos os mistérios
a decifrar a vida na palma das tuas mãos
“abra a porta e me abrace”
ela te sussurra mais uma vez
e de repente a poesia passa
sem perceberes, 
sem encantares, 
sem dançares com ela 
nesse abraço singelo
“abra a porta e me abrace”
esquecemos dessa prece
do coração a bater 

e dentro de nós escurece   


*

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Historinha


Era uma vez uma menina que aprendeu a se esconder tão bem mas tão bem que nunca mais ninguém a encontrou. E nunca mais ninguém a tendo encontrado nunca mais também se encontrou. Assim embora tenha aprendido a se esconder, desaprendera a se encontrar e por inúmeros motivos que não vem ao caso permaneceu em seu casulo. Mas o casulo estava em uma região muito conhecida o que foi impossível se esconder ou encontrava outro lugar para ir morar ou teria que se ver, se ver era se deparar com os outros e com um outro que não queria mais ver. Ele que insistia em habitar sua casa sem querer. O próprio desconhecido que aquele dia se revelou um completo imbecil. E depois? Depois quem era mesmo imbecil era o outro, outro, outro aquele que começou a história besta e não teve a coragem de terminar...

*

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Poema de significar ínfimos

(Estudos da Isabelinha e suas amigas no Ballet - Luiza Maciel)


esperei aquele gesto de tanto zelo e cuidado
significar um universo
universifiquei o que me coube
no pedacinho de pupila que encontrei
tem gente que não sente o valor de um pequeno afeto
eu que sempre fui de derreter
pelos mínimos gestos
chorei todo o pranto que podia
para universificar um mar
as pequenas sombras da cadeira
anunciavam a poesia
leve, passageira e sempre aprendiz
mora no encontro
  quando a sombra do verso
se torna tua
  na tentativa de espalhar ternura
te espelhei


*



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Poema do redemoinho a girar

devo parar de mesquinharias
a enfeitar o silêncio com palavras bonitas
beijar tudo aquilo que me resta
aquelas lembranças traiçoeiras
devo aprender a esquecer de vez enquando
o bonde a andar sozinho
alguns versos tem que aprender a se virar
na estrofe até transformar-se poema 
seguido pela mutação dos sonhos
ao revisitar a pele do desconhecimento
devo me desapegar das idéias 
e ficar só com a essência daquilo
a não esquecer do vôo das borboletas
que o que importa estará sempre
escondido em um pedacinho 
de ínfima infinitude a bailar
num pontinho de pupila
em redemoinho primevo
até multiplicar redemoinhos em toda parte
e então ser universo 
aquele nada a dançar

*


















sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Passarinho no ar

passarinho no ar
estive a escutar as coisas mais lindas que deixastes por aí
passarinho no ar, voa voa sem voltar
o céu é grande e maior ainda é o teu sorriso
passarinho no ar, voa voa para continuar a versar
poema teu destino, espalha teu pranto,
tua alegria, teu desejo, teu amor
na contínua poesia da vida
eu colho teus versos no coração
dia vai dia vem cada dia de um jeito
escuto novamente e então ouço
o que nunca ouvi
que aqui bate agora timidamente
não te digo
mas bate aqui agora...
como se nunca batera antes
numa sinfonia de liberdade
passarinho no ar, voa voa
canta até se esbaldar
que o canto que encanta
guardo no canto que me espanta
revoa até espalhar
o canto que no canto teve seu entretanto
e agora é mesmo esse tanto
nesse enquanto...