Música!

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sexta-feira, 20 de abril de 2018

venho a invocar a palavra amor

venho a invocar a palavra amor
de todos os mares, de todas as flores
de todos os silêncios, de todas as músicas
dentro das conchas, dentro das cavernas
dentro do sangue, dentro da pele
de toda esperança que dança nos ares
venho a invocar a força do amor
dos ventos, dos tempos e dos raios solares
a arrancar cada uma das ervas daninhas
que estão paradas como parasitas
a impedir ao amor que se espalhe
venho a invocar a palavra amor
não de qualquer amor nem de qualquer jeito
não superficialmente, nem da boca pra fora
venho a invocar a palavra amor
para que ecoe eternamente dentro de ti
uma nova revolução
um novo sonho
um novo olhar



terça-feira, 17 de abril de 2018

Poema para ler mais poesia


Nunca houve um dia meu amor
no qual a poesia 
não insistiu em te beijar.
Pelas palavras de todos os poetas
que quiseram te dizer 
verdadeiras belezas repletas.
Dos mais absurdos versos
de ternuras acesas nesse mar aberto.

Nunca houve um dia meu amor
no qual a poesia deixou de te amar!
Abra os olhos e veja
a cidade está lotada de beijos
de poetas, de livros, de palavras
que querem desesperadamente 
te encontrar!
Nunca houve um dia meu amor
apesar de olhares para outros entretantos
cantos escuros, abismos, 
profundezas de enquantos 
saladas de blá blá blás...
Nunca houve um dia meu amor.
Por isso leia mais poesia por favor.
Nunca houve um só dia meu amor
que a poesia não quis te abraçar
e com seus braços de versos 
te amar...
Luiza Maciel Nogueira

Para todos os poetas e alguns cá se encontram. Não vou citar nomes porque certamente me esqueceria de alguém. Mas vocês sabem quem são ❤️!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

cada uma

por Luiza Maciel Nogueira 

cada uma das tuas
nuas falsas modestas farsas
não tuas nem minhas
nem nossas nem meias
nem inteiras nem futuras
nem passadas nem presentes
nem nada nem todas

cada uma das tuas
a superarem 
as outras em matéria
de espanto

que em matéria de amor
é nada


*

quinta-feira, 29 de março de 2018

Poema para os olhos de quem já chorou demais

Os olhos de quem já chorou demais
abrem as portas do desassossego.
Tanto amor apunhalado e ainda
com a coragem de amar mais.
Sem tanta espera. 
É que ela já não te espera. 
Espero que não a espere
pois que ela já não te espera
na alegria não te espera
na noite fria não te espera
na fantasia não te espera.
Te espera nunca mais.

Luiza Maciel Nogueira




quinta-feira, 22 de março de 2018

estive a pensar...


estive a pensar
no quanto é um desperdício
nossas peles distantes
nossos rios poluídos 
nossas crianças carentes
nossos sonhos esmagados
nossa vida carregada pelo vento 
assim sem mais nem menos ternura

estive a pensar 
no teu sorriso quando acordas
e a pensar também na saudade
daquele tempo onde o tempo
era lento e por não sabermos de nada
apenas sentíamos as coisas nos tocarem
assim livremente

estive a pensar no quanto
desaprendemos a não saber
a sentir, a amar, a ser
estive a pensar na dança
dessas coisas descontentes
que precisam as vezes serem 
empurradas a um abismo
para aprenderem a voar

estive a pensar...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Poema daquilo que só se enxerga na escuridão

Poema e imagem feito para um desafio de Tânia Regina Contreiras - tema é "Daquilo que só se enxerga na escuridão":

Poema daquilo que só se enxerga na escuridão 

Manto negro.
A melancolia a lacrimejar pelo tempo.
Saudades dos nadas a dançarem sob os olhos.
Agora marejados de sangue
da multidão que se ergue sangrenta.
Caminham pelos bandos de cadáveres
a soterrarem absurdos indigestos
na mente dos outros
que só seguem o bando
sem saberem que vivem
sem saberem que sangram
sem saberem escravos
de uma podre ilusão.

Manto negro descortina num repente
e os ratos surgem dementes
a devorar as gentes que ainda vivem.
Uma menina ao ser devorada pela vida
alimenta o sonho de ser livre
canta ela sua última canção
para toda a multidão que sangra
encoraja todos a cantarem juntos
canta a multidão ao sangrar.

Manto negro
e a violência segue seu percurso...
Manto negro ou rubro
de sangue nos olhos
de sangue nos sonhos
de sangue no sangue
a jorrar mais sangue...

Luiza Maciel Nogueira




terça-feira, 6 de março de 2018

Poema de quando o silêncio se torna macio


o silêncio se tornou macio
a palavra vazia
diante do mundo lotado
de poesia dançante
não mais me espernearei
para que sintas a poesia
ela estará sempre por aí...
e não importa quantas vezes
gritei por não escutar
que poesia é também silêncio
é lágrima, é pus, é dor
redemoinho de dentro que gira
redemoinho lá fora que roda
dentro fora, fora dentro
como se a poesia nos fizesse ser semente
que quer crescer, que quer sonhar
que quer voar e não pode
ou pode mas só com a ajuda de um pássaro
que nos leva pelo bico
até nossa casa
e nos joga na terra para criarmos raízes
onde daremos fruto, flor, cor
coragem para crescer
diante de qualquer temporal
quando o silêncio se torna macio
já nada mais, nada a mais
só menos
só!